ABSTINÊNCIA DE COERÊNCIA: O DISCURSO POR TRÁS DA CAMPANHA “TUDO TEM SEU TEMPO” DO GOVERNO FEDERAL
DOI:
https://doi.org/10.70185/sz4th658Resumo
O discurso é um objeto de transformação que está inserido na sociedade e é capaz de agir como modelador de comportamentos e ações. Dessa forma, entender que o Poder tem suas linhas de aplicação por intermédio do discurso se torna fundamental para analisar a construção do mesmo e sua interação em uma teia discursiva, entre indivíduos e instituições, e portanto, torna-se possível identificar uma perpetuação de certas mensagens e comportamentos, os quais corroboram e sustentam elementos constitutivos de poder. O objetivo dessa pesquisa é compreender de que forma a interdição discursiva se manifesta no objeto de estudo definido, sendo este, a campanha publicitária do Governo Federal para estimular a redução da gravidez precoce: “Tudo tem seu tempo: Adolescência primeiro, gravidez depois”. A campanha promove a abstinência sexual e a postergação do início da vida sexual como métodos contraceptivos, entretanto, estes são reconhecidamente falhos pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Ao averiguar o discurso por trás da campanha e compreende-lo nas suas linhas de formação, utiliza-se uma interpretação fundamentada nas teorias do filósofo francês Michel Foucault (2014), pautando o conceito de discurso, mapeando seus procedimentos e delimitando os elementos constitutivos de poder, permitindo, então, o balizamento acerca das relações entre poder, saber e violência. Por meio da conciliação do discurso presente na hashtag da campanha, com o título e a composição visual, é possível identificar a perpetuação de um discurso que normaliza problemas sociais e estruturais como o racismo e o abandono paterno, além de culpabilizar a mulher. Portanto, utiliza-se de uma política ineficaz que gera desconhecimento e, consequentemente, corrobora com o que tenta evitar.
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